Rogério Marinho

Ex-ministro de Bolsonaro viu o ex-presidente engajar-se fortemente em torno de seu nome na disputa pela presidência da Casa

Lançado à presidência do Senado no início de dezembro, em meio a um clima de ceticismo por parte de correligionários, Rogério Marinho (PL-RN) chega às eleições desta quarta-feira (1°) sendo uma dor de cabeça para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Supremo Tribunal Federal (STF). Embora ainda longe do favoritismo na disputa contra Rodrigo Pacheco (PSD), que está próximo de ser reconduzido ao cargo, Marinho ganhou fôlego nos últimos dias após a entrada em campo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que, dos Estados Unidos, se engajou na campanha do ex-ministro e passou a fazer ligações para pedir votos contra o candidato apoiado pelo PT.

 

Titular do Desenvolvimento Regional na gestão passada, Marinho representa a última chance de o bolsonarismo ocupar um cargo de relevância na esfera federal. Ao mesmo tempo, sua candidatura traz um risco de governabilidade a Lula: pessoas próximas ao presidente da República dizem que é essencial ter um aliado à frente da Casa para distensionar os poderes e garantir a aprovação de projetos neste início de mandato.

A candidatura de Marinho é vista ainda como um sinal de alerta aos ministros do Supremo. Quando teve seu nome lançado, o ex-ministro fez um discurso recheado de críticas aos magistrados por supostos excessos em decisões contra aliados de Bolsonaro. Se vencer a disputa, ficaria na mão do parlamentar pautar ou não o impeachment de integrantes do STF, medida defendida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que acusa a Corte de ativismo judicial.

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Como mostrou o GLOBO, mesmo um cenário de derrota do ex-ministro é visto com preocupação pelo Supremo, dado que o placar de Marinho vai mostrar a força numérica do bolsonarismo para lançar ofensivas contra o STF nos próximos anos, por exemplo, por meio da abertura de Comissões Parlamentares de Inquérito, que necessitam de 27 assinaturas.

Marinho foi deputado federal por três mandatos e ocupou o cargo de secretário especial da Previdência Social e Trabalho no governo Bolsonaro, ocasião em que articulou a aprovação da reforma da Previdência. Depois, foi promovido a ministro do Desenvolvimento Regional, um dos ministérios que mais distribuíram verbas do Orçamento Secreto ao Congresso. No ano passado, ele foi eleito para seu primeiro mandato de senador pelo Rio Grande do Norte.

 

Em ascensão
Nos últimos dias, Marinho garimpou votos apostando em parlamentares de partidos que chegaram rachados à eleição do Senado, caso de União Brasil, Podemos e PSDB. O bloco do senador do PL reúne 23 parlamentares, mas aliados de Marinho acreditam que podem superar Pacheco nas dissidências e nos votos silenciosos.

As chances de Marinho surpreender com uma vitória são tidas como pequenas, mas fez o governo se movimentar para não ser pego de surpresa na votação. Ao GLOBO, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), disse que a atual gestão pode acelerar indicações de nomes já postos para determinados cargos, evitando assim o desembarque de senadores indecisos.

A disputa pela presidência do Senado acabou reeditando a polarização política que marcou o pleito presidencial do ano passado. Enquanto Pacheco se coloca como candidato do lado democrático, Marinho se vende como um defensor da liberdade e um crítico do "ativismo judicial”, bandeiras levantadas por Bolsonaro na eleição.

 

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