Naomi Pilichowski, 18 anos, aguardava o ônibus em uma parada perto da Estação Central, no entrocamento de Givat Sha'ul, próximo à entrada de Jerusalém. Estava pronta para mais um dia de trabalho como voluntária do Serviço Nacional de Israel, onde ajuda crianças com problemas. Às 7h06 (2h06 em Brasília), ela foi surpreendida por uma explosão. "Minha filha fugiu do local e, imediatamente, não percebeu que estava ferida. Naomi escreveu no grupo de nossa família, no WhatsApp, que havia ocorrido um atentado à bomba e que estava em uma ambulância, a caminho do hospital, onde nos encontramos", relatou ao Correio, também por meio do WhatsApp, o rabino Uri Pilichowski, colunista do jornal The Jerusalem Post. Cerca de 30 minutos depois, mais uma explosão ocorreu em outra parada a apenas 4,6km, no entroncamento de Ramot.
 
O estudante israelo-canadense Aryeh Shechopek, 16, morreu no primeiro ataque, que também feriu 15 pessoas — quatro delas gravemente. O segundo deixou mais quatro feridos. As autoridades divulgaram que as bombas, detonadas remotamente, estavam recheadas de pregos e de esferas de aço. Depois do duplo atentado, o primeiro do tipo em seis anos a atingir Jerusalém, a polícia elevou o nível de alerta e passou a revistar os ônibus. O chefe do Exército israelense, Aviv Kohavi, interrompeu uma visita aos Estados Unidos e voltou às pressas a Jerusalém. Até o fechamento desta edição, nenhum grupo tinha reivindicado a autoria. No entanto, o movimento fundamentalista islâmico "celebrou" os incidentes e classificou-os como "o preço dos crimes e das agressões de Israel contra nosso povo".
 
Tanto o primeiro-ministro eleito, Benjamin Netanyanu, quanto o premiê em exercício, Yair Lapid, prometeram perseguir os responsáveis. "Estamos em uma luta contra o terror implacável, em ascensão novamente. Faremos o que pudermos para devolver uma sensação de segurança total aos israelenses", declarou Netanyahu, que visitou feridos internados no Centro Médico Shaare Zedek. Lapíd atualizou o sucessor sobre os detalhes da investigação e lamentou a morte de Aryeh. "Um menino que não fez nada de mal a ninguém no mundo e foi assassinado só porque era judeu. Envio meus melhores votos de recuperação e cura completa aos feridos", disse o atual chefe de governo.
 
Lapid enviou um recado aos autores dos ataques. "Eles podem correr, podem se esconder, isso não os ajudará. As forças de segurança irão alcançá-los. Se resistirem, serão frustrados. Caso contrário, esgotaremos toda a severidade da lei com eles", avisou. Uri contou que a filha permaneceu cinco horas no hospital e recebeu alta. "Naomi não estava e não está amedrontada. Ela está de bom humor agora. Mas mantemos a cautela, pois sabemos que, algumas vezes, problemas de saúde mental não aparecem imediatamente", lembrou. O pai de Naomi espera que "os vizinhos palestinos" escolham a paz ao terrorismo. "Hoje, não o fizeram. Estou esperançoso, porém, não otimista, de que amanhã farão escolhas melhores."
 
Em entrevista ao Correio, Daniel Zohar Zonshine, embaixador de Israel em Brasília, afirmou que o duplo atentado de ontem foi uma surpresa, ao menos para a opinião pública israelense. "Por um longo período, não víamos tais ataques. Nos últimos meses, tivemos várias agressões, a maioria delas na Cisjordânia, usando armas de fogo e facas. As Forças de Defesa de Israel e as forças de segurança fazem um enorme esforço para prevenir tais ações, incluindo os ataques aos terroristas em suas próprias cidades", disse, ao admitir uma "grave escalada na onda de terror".
 
 
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