A Ucrânia fez um apelo, ontem, à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e à União Europeia (UE) pelo aumento da ajuda militar e por novas sanções contra a Rússia, depois que as autoridades pró-Moscou declararam vitória nos referendos controversos de anexação de quatro regiões ucranianas ocupadas. "Caro Vladimir Vladimirovich (Putin), pedimos que examine a questão da adesão da República Popular de Luhansk à Rússia como um assunto da Federação da Rússia", declarou Leonid Pasechnik, chefe separatista pró-russo de Luhansk.
 
Tanto Pasechnik quanto o chefe da administração pró-Moscou de Donetsk afirmaram que planejam viajar à Rússia para formalizar a anexação. Os líderes das administrações de ocupação das regiões sul de Kherson e Zaporizhzhia enviaram cartas semelhantes ao presidente russo, depois de anunciar os resultados da votação. Os serviços de inteligência do Reino Unido acreditam que Putin anunciará, oficialmente, a anexação dos territórios de Luhansk, Donetsk, Kherson e Zaporizhzhia, amanhã, durante pronunciamento no Parlamento.
 
Aliados de Kiev na Otan e na UE avisaram que não reconhecerão os resultados. Até a China defendeu o respeito à "integridade territorial de todos os países". Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Canadá reiteraram que "nunca" reconhecerão os resultados dos referendos.
  
Pressão
 
O governo ucraniano pediu aos aliados para que transformem as críticas em fatos e enviem mais armas a Kiev, apesar das ameaças de Moscou sobre o uso de seu arsenal nuclear para proteger seu território em caso de anexação. "A Ucrânia pede à UE, Otan e ao G7 que aumentem a pressão sobre a Rússia de maneira imediata e significativa, incluindo a imposição de novas sanções duras, assim como um aumento substancial da ajuda militar à Ucrânia", afirmou a chancelaria. A nota menciona "tanques, aviões de combate, veículos armados, artilharia de longo alcance, material antiaéreo e equipamento de defesa antimísseis". Ontem, os EUA liberaram um novo pacote de ajuda militar de US$ 1,1 bilhão para a Ucrânia.
 
A ameaça de Putin de usar armas nucleares para proteger os territórios coincidiu com sua decisão de convocar 300 mil reservistas para reforçar as tropas russas no leste da Ucrânia. Para coibir a fuga dos mobilizados pelo exército, as autoridades federais anunciaram que deixarão de fornecer passaportes.
 
 
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